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Você deixaria o seu médico usar o celular durante a cirurgia?

Denis Freire de Almeida

09/01/2019 17h32

Você deixaria seu médico cirurgião usar o celular durante a operação? Pois muita gente que responde negativamente a essa pergunta, usa e abusa do celular ao volante. Operar e dirigir são tarefas que colocam sua vida em risco! Não podemos nos dar ao luxo de deixá-la em segundo plano, mas milhares de motoristas ainda dirigem no automático e se preocupam com "coisas mais importantes" durante os deslocamentos… E a principal razão, entre tantas, é a falta de percepção de risco no trânsito.

No Brasileirão do ano passado, o Atlético-PR (agora, Athletico-PR) fez uma campanha de conscientização do uso de celular no trânsito, mandando a campo o goleiro Santos com um celular na cintura. O simples fato de o goleiro usar o aparelho nos segundos iniciais da partida causou revolta e indignação em milhares de torcedores. Muitos deles, certamente usam celular enquanto dirigem… Existe a percepção do risco de levar um gol, mas ainda falta o mesmo sentimento para o risco de morrer no trânsito.

Você sabia que 95% dos acidentes de trânsito poderiam ser evitados, pois são causados por falhas humanas? E elas são divididas em imperícia (falta de capacidade técnica para dirigir), imprudência (tomar decisões repentinas sem a devida sinalização) e negligência (deixar de tomar atitude esperada para a ocasião). Mais de 40 mil vidas poderiam ser salvas anualmente – sem falar nos feridos – caso houvesse menos falhas de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

O VIVA-VOZ É TRAIÇOEIRO

E não se engane com o uso de celular no viva-voz (bluetooth). Ele é tão perigoso quanto o uso do celular na mão, segundo estudos da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Existem três tipos de distrações: manual, visual e cognitiva (mental). Quando um motorista está teclando no celular enquanto dirige, o cérebro tem alta percepção de risco, pois o mesmo está usando as três distrações simultaneamente. Nenhum motorista que tecla enquanto dirige, passa mais que alguns segundos fazendo isso.

Já, quando apenas a distração cognitiva está em ação, o cérebro se auto-sabota e codifica pouco risco para a situação. É aí que motoristas passam dezenas de minutos e até horas em conversas intermitentes, deixando a tarefa de dirigir em segundo plano. É por isso que apesar de ser menos perigoso que teclar uma mensagem ao volante, falar no viva-voz mata três vezes mais! A distração manual é a menos impactante na tarefa de dirigir, uma vez que vemos motoristas habilitados sem uma das mãos e dirigindo muito bem.

Quem usa celular ao volante está quatro vezes mais propenso a se acidentar em um ambiente que mata tanto quando a Guerra do Golfo, no início dos anos 90. Sim, o trânsito brasileiro é um ambiente de guerra, mas muita gente ainda não se deu conta disso. E a ficha, infelizmente, costuma cair quando já é tarde demais.

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Sobre o Autor

Denis Freire de Almeida é jornalista formado pela PUC-SP, com 25 anos de experiência na área de automotiva. É idealizador do “Direção Legal” e já trabalhou em veículos como Rede Globo, Quatro Rodas, O Estado de S. Paulo, Record TV e Webmotors. É piloto de testes certificado pela Federação Paulista de Automobilismo desde 1999, além de instrutor de Direção Preventiva e Defensiva.

Sobre o Blog

A ideia do “Direção Legal” é salvar vidas. Você sabia que “cai um Boeing por dia” nas ruas e estradas brasileiras? Isso mesmo, são 104 vítimas fatais todos os dias -- uma a cada 13 minutos. A melhor forma de evitar a ampliação desse número alarmante é informar sobre os riscos ao volante e dar dicas práticas de como minimizá-los. O que nos motiva é que 94% dos acidentes poderiam e podem ser evitados, já que são causados por falha humana. Embarque com a gente nessa viagem.