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Dia mundial do Sono: motorista nunca vai vencer corrida contra ele

Denis Freire de Almeida

16/03/2018 04h00

Crédito: Starsstudio/Fotolia

Nesta sexta-feira (16) é comemorado o Dia Mundial do Sono, data criada para reforçar a importância de uma boa noite de descanso para a nossa saúde. E desse assunto, falo com propriedade: foi justamente o excesso de sono ao volante que ocasionou o meu primeiro e único acidente de carro, em abril de 1999, aos meus 25 anos.

Para minha sorte, tudo não passou de um susto e um pequeno amassado no para-choque da picape Ford F-250, que testava para a revista Quatro Rodas. Mas poderia ter sido pior, muito pior.

Após uma noite de sono mal dormida, fui buscar meu filho mais velho na casa da avó em Sorocaba (SP). Almocei e peguei a Castello Branco de volta a São Paulo. Para quem não conhece, a estrada é uma das mais bem cuidadas e monótonas do Brasil, com longas retas e curvas abertas.

Não demorou muito e o sono começou a bater. Meu filho já havia "capotado" na cadeirinha de retenção instalada ao meu lado no banco inteiriço (sim, em picapes cabine simples é permitido levar criança na frente).

Para não acordá-lo, fiquei impossibilitado de abrir o vidro, colocar música alta… Enfim, fazer as coisas que acreditamos piamente que resolvem o problema do sono. Dirigi "pescando", afinal era só uma horinha de viagem.

Esta é a reportagem da Quatro Rodas sobre a Ford F-250 que testei em 1999. Repare no para-choque amassado…

Bateu!

Já na entrada da cidade, no Cebolão (conjunto de viadutos que dá acesso às marginais dos rios Pinheiros e Tietê), ouvi um barulho! Era eu batendo atrás de um VW Santana com aquela picape brutamontes de 2.480 kg.

O sedã, que não estava nos seus melhores dias de conservação, ficou ainda pior. A encostada na traseira entortou o monobloco a tal ponto que o motorista não conseguiu abrir nenhuma das quatro portas — ele desceu pela janela mesmo.

E se assustou quando viu a criança "desmaiada" na cadeirinha. Meu filho Douglas, então com quatro anos, nem sequer acordou com a batida. Resolvido os trâmites burocráticos, fui para casa e, já sem sono graças à descarga de adrenalina, comecei a relembrar de momentos da viagem.

Me assustei quando tomei consciência de que, por duas vezes, havia acordado com o barulho e a vibração do volante ao passar por olhos-de-gatos nas curvas! Desde aquilo, nunca mais desafiei o sono.

Você pode tomar um café, um energético, abrir o vidro, aumentar o som e, com isso, vencer alguns rounds. Mas não se iluda: o sono é traiçoeiro. Quando menos você espera, ele te nocauteia. Essa é uma luta perdida! E a única saída é nunca chamá-lo para briga…

Sobre o Autor

Denis Freire de Almeida é jornalista formado pela PUC-SP, com 25 anos de experiência na área de automotiva. É idealizador do “Direção Legal” e já trabalhou em veículos como Rede Globo, Quatro Rodas, O Estado de S. Paulo, Record TV e Webmotors. É piloto de testes certificado pela Federação Paulista de Automobilismo desde 1999, além de instrutor de Direção Preventiva e Defensiva.

Sobre o Blog

A ideia do “Direção Legal” é salvar vidas. Você sabia que “cai um Boeing por dia” nas ruas e estradas brasileiras? Isso mesmo, são 104 vítimas fatais todos os dias -- uma a cada 13 minutos. A melhor forma de evitar a ampliação desse número alarmante é informar sobre os riscos ao volante e dar dicas práticas de como minimizá-los. O que nos motiva é que 94% dos acidentes poderiam e podem ser evitados, já que são causados por falha humana. Embarque com a gente nessa viagem.

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